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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CHEGA!

"O meu nome é "Sara", tenho 3 anos, os meus olhos estão inchados, impedidos de ver. As tantas sou estúpida, as tantas sou má, o que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?
Eu gostava de ser melhor, gostava de ser menos feia. Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos. Eu não posso falar, eu não posso fazer asneiras, ou fico trancada no quarto o dia todo.
Quando eu acordo estou sozinha, a casa está escura, os meus pais não estão em casa. Quando a minha mãe chega, eu tento ser amável, senão ainda levo uma chicotada à noite, já é comum no meu quotidiano.
Não faças barulho! Acabo de ouvir um carro, o meu pai chega do bar do Carlos. Ouço-o dizer palavrões, ele chama-me. Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos. Tenho tanto medo agora, começo a chorar. Ele encontra-me a chorar, ele diz-me palavras más, feias.
Ele diz que sofre no trabalho porque a culpa é minha.
Ele esbofeteia-me e bate-me, e grita comigo até eu não poder ouvir mais. Eu liberto-me finalmente e corro até à porta. Ele já a trancou, eu enrolo-me toda em bola, ele agarra em mim e lança-me contra o muro.
Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos.
E o meu dia continua com horríveis palavras...
"Desculpa!", eu grito, mas já é tarde de mais, o seu rosto tornou-se num ódio inimaginável. O mal e as feridas mais e mais, "Meu Deus por favor, tenha piedade! Faz com que isto acabe por favor!"E finalmente ele pára, e vai para a porta enquanto eu fico deitada, imóvel no chão.
O meu nome é "Sara", tenho 3 anos.
Esta noite o meu pai matou-me."


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